mas sempre tem algo bom pra aliviar o desaní =)
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Fever Ray live
Achei esses vídeos hoje. Pela primeira vez, vejo o show em boa qualidade. E só confirmei tudo que já imaginava: é lindo.
Vou postar todos, esperando que não saiam do ar, pelo menos tão cedo.
Domingo
Meu domingo começou sem ódio, sem sentimentos fortes, meio apático, até. E terminou lindo, o mais lindo de todos. E esse vídeo contém um pouco do ar e da coloração desse sentimento gigante. Beijos, cheios de amor. (L)
Alegria
Mercy on Me
Domingo
Hoje é domingo. Hoje, particularmente, acordei com certa ressaca. Dormi depois de sete da manhã, tive um sono perturbado, sonhos desagradáveis, esquisitos, porém nada muito dramático. Mas ao acordar, tais atividades oníricas de certa forma contribuíram para a ressaca e o mal-estar psicológico generalizado. Acabei de levantar, dar uma volta pela casa, três da tarde de um domingo tedioso qualquer e igual a todos os outros. "Ódio dominical" - escrito isto me fiz lembrar alguns domingos mais antigos, por volta do fim da minha idade infantil; alguns domingos pela manhã comparecia a um encontro religioso (acho que da igreja Luterana, em companhia de uma menininha vizinha minha, praticante). Era em uma casa grande, achatada, um pouco de madeira, outro tanto de telha e tijolo. Pessoas muito brancas, de cabelo claro, como trigo queimado pelo sol no campo. Era bonito, eu acho. A memória falha não me deixa investigar mais a fundo os meus afetos com relação àquilo tudo. Acho que as pessoas rezavam, e tinha algo de comer também. Eu lembro de algumas sensações, como a de voltar de lá para casa, a pé, um dia nublado... chegar em casa, ver tevê e esperar o almoço ficar pronto.
Eu tinha uns 11 anos, e não esperava nada do domingo. Agora, espero que acabe o quanto antes.
Desinteresse
Sei que vou perder as lembranças. É só esperar o tempo que sempre antecede a perda. Pouco tempo e tudo já passou. E eu não sofro, nem há dor. Só passa. Como qualquer coisa que existia ali e depois não existe mais, por conseqüência qualquer da vida e do tempo. Alívio.
Uma lista de coisas a fazer. Primeiro passo: abdicar de coisas. Segundo passo: ouvir melhor. Terceiro. Planejar um futuro em delírio interior. Quarto: perder a vergonha de regozijar diante das dores; minha humanidade grita eufórica, extasia de prazer ao sentir-se liberta mais um pouco. Depois disso, acabar com tudo e sentir o cheiro doce do fim.
24 de agosto de 2009
Queria escrever um pouco mais sobre a morte. O que aconteceu, como foi a sua vida?
Conversas
O que significa esse conflito dentro da própria natureza?
Por que a natureza se rivaliza consigo mesma? A terra combatendo o mar?
Existe uma força vingadora na natureza? Não uma, mas duas?
Lembro-me de minha mãe no leito de morte. Toda encolhida e acinzentada.
Eu lhe perguntei se tinha medo. Ela apenas acenou com a cabeça.
Tive medo de tocar a morte que vi estampada nela.
Não consegui achar nada de bonito ou glorioso sobre seu encontro com Deus.
Ouvi falar em imortalidade, mas eu mesmo nunca a vi.
Me perguntei como seria quando eu morresse.
Como seria ter consciência de seu último suspiro.
Espero apenas poder enfrentar a hora da mesma maneira que ela.
Com a mesma calma.
Porque é aí onde se esconde a imortalidade que eu não encontrei.
*
Quem é você para assumir tantas formas? Sua morte que tudo capta.
Você também é a fonte de tudo que está por nascer.
Sua glória.
Misericórdia.
Paz.
Verdade.
Você traz calma ao espírito, entendimento, coragem.
O coração satisfeito.
Talvez os homens tenham uma enorme alma de que todos fazem parte.
Todas as faces do mesmo homem.
Um grande ser, único.
Todos procurando por salvação. Como um carvão tirado da fogueira.
*
Esse grande demônio.
De onde vem?
Como se entranha dentro do mundo?
De que semente, de que raiz é que se desenvolveu?
Quem é que está fazendo isso?
Quem está nos matando?
Nos furtando de vida e luz.
Brincando com o que talvez
pudéssemos vir a saber.
Será que nossa ruína beneficia a Terra de alguma maneira?
Será que ajuda a grama crescer
ou o sol a brilhar?
Essa escuridão está dentro de ti também?
Já teve esse pesadelo também?
*
Quem era você, com quem vivi?
E caminhei?
O irmão.
O amigo.
As trevas dentro da luz.
A batalha do amor.
São todos obras de uma única mente?
Os traços de um único rosto?
Oh, minha alma,
deixe-me estar com você agora.
Olhe para fora através de meus olhos.
Olhe para as coisas que criou.
Tudo brilhando.
(Trechos extraídos do filme "The Thin Red Line", de Terrence Mallick, 1998).
Projeto para um romance de vulto
- Você se importaria de ler algo sórdido? Não, não é bem algo sórdido, pelo contrário, é uma página importante que testemunha a obsessão de registrar todos os pormenores de uma mente e todo o desenrolar da história do pensamento. Eu me curvo e me escondo ante o que escrevi ao me entregar totalmente a esta obsessão. E sinto inclusive o infeliz medo da tua leitura mas fico subitamente feliz porque percebo que deste medo posso fazer outros textos que tematizem o medo e depois falem do texto que escrevi para aplacar o medo e dos outros textos que escrevi para aplacar os primeiros textos.
Um pedaço
Ontem escreveria que, da borda, era nítido enquanto observava: o que estava dentro, o todo sendo expulso para fora, o tremular das beiradas: ânsia de entrar, correr conta o fluxo violento. Ontem eu era a borda.
Preenchi um espaço cujo qual não sei donde nasce. Tenho amor, cujo qual não denomino a espécie. Hoje o amor me tomou por inteiro. O amor pela comunhão, a alegria da troca, o amor que pode vir a mim antes mesmo de emanar duma profundidade desconhecida, pode vir de um pedaço meu que desconheço, arrebatar meus limites, e refletir, depois voltar.
Já não é nítido ser a borda. Há alegria.
Tudo num instante de pequeno. Todos eles, num hoje só.




